CORONAVÍRUS DESTACA A NECESSIDADE DE FORTALECER OS NOSSOS VALORES.

Em poucos meses, o surto de Coronavírus COVID-19 se espalhou para mais de 90 países. De acordo com dados atualizados da Organização Mundial da Saúde (OMS) já são mais de 170 mil casos confirmados. Aqui no Brasil, medidas preventivas estão sendo tomadas, no entanto, esse número cresce a cada dia. Se as pessoas não levarem a sério, podemos ter consequências muito piores do que, temos presenciado, por exemplo, na Itália.

Há duas razões pelas quais o COVID-19 é uma ameaça. Primeiro, pode matar adultos saudáveis, além de idosos com problemas de saúde existentes. Os dados até agora sugerem que o vírus tem um risco de letalidade em torno de 2%, mas esse número sobe para 8% em pacientes de 70 a 79 anos e chega a 15% em maiores de 80 anos.

Segunda razão, o COVID-19 é transmitido com bastante eficiência. Uma pessoa infectada espalha a doença para duas ou três outras. Essa é uma taxa exponencial de aumento. Também há fortes evidências de que ele pode ser transmitido por pessoas que estão levemente doentes ou que ainda não apresentam sintomas. Isso significa que o COVID-19 é muito mais difícil de conter do que a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que aconteceu em 2002 matando, mais de 700 pessoas, que só foram transmitidas por aqueles que apresentaram sintomas e foram transmitidas com muito menos eficiência.

Sabemos por experiencia com Ebola, Sars e Zica que, com as medidas certas, podemos interromper a transmissão de doenças como está e proteger milhares de vida. É nosso dever limitar a transmissão da doença, cumprir o protocolo de isolamento e higiene. Precisamos nos apoiar para minimizar o impacto social e econômico que surgirá.

Diante de tudo isso, fico me perguntando: como será que as pessoas estão lidando com tanta informação? Não passo uma hora sem ser bombardeada por mensagens, vídeos, memes, brincadeiras. Será que estamos entendendo, de fato, o que esta acontecendo?

Foi procurando essas respostas que encontrei na série Explicando, produzida pelo Netflix, o episódio “A Próxima Pandemia”, lançado no final de novembro de 2019, reunindo diversos especialistas e pesquisadores. Eles reconhecem que haveria o risco de um surgimento de uma nova e perigosa doença infecciosa, apenas não sabiam quando.

De acordo com Bill Gates, se pensarmos em algo que poderia acontecer e mataria milhões de pessoas, o nosso maior risco, com certeza, é uma pandemia, pois ela é um problema que foge do nosso controle. Ao longo da nossa história, vivemos diversas pandemias e é através delas, por exemplo, que tivemos avanços na medicina, melhorias no sistema de comunicação, no sistema de vigilância e criação de órgãos especializados, como a Organização Mundial da Saúde, melhorando os diagnósticos, remédios, tratamentos, terapias e vacinas.

Em outro estudo feito, segundo Charles Rosenberg, escritor e professor de Ciências Sociais de Harvard, epidemias se desdobram como dramas sociais em três atos. Os primeiros sinais são sutis. Seja influenciado por um desejo de autoconfiança ou por uma necessidade de proteger interesses econômicos, os cidadãos ignoram as pistas de que algo está errado até que a aceleração de doenças e mortes força o reconhecimento relutante.

O reconhecimento lança o segundo ato, no qual as pessoas exigem e oferecem explicações, mecanicistas e morais. As explicações, por sua vez, geram respostas públicas. Isso pode tornar o terceiro ato tão dramático e perturbador quanto a própria doença.

Ainda, segundo Rosenberg: “As epidemias começam em um momento no tempo, prosseguem em um estágio limitado em espaço e duração, seguem uma trama de crescente tensão reveladora, passam para uma crise de caráter individual e coletivo e depois se aproximam do fechamento.”

Mas, por quanto tempo isso irá durar?

Esse medo que estamos vivendo em relação ao Covid-19, começou no oriente, foi para a Europa e agora está no mundo todo.

Um aspecto dramático da resposta à epidemia é o desejo de atribuir responsabilidades. De judeus na Europa medieval a comerciantes de carne nos mercados chineses, alguém sempre é culpado. Esse discurso de culpa explora as divisões sociais existentes de religião, raça, etnia, classe ou identidade de gênero. Os governos então respondem implantando sua autoridade, com quarentena ou vacinação compulsória, como temos acompanhado na China, Itália e Espanha. Essa etapa geralmente envolve pessoas com poder e privilégio, impondo intervenções sobre pessoas sem poder ou privilégio, uma dinâmica que alimenta conflitos sociais.

Enquanto escreve este texto, é triste falar sobre isso, mas o número de infectados está subindo, óbitos foram confirmados aqui no Brasil, além do governo decretar estado de calamidade, e para quem ainda tem dúvida, nos Estados Unidas, Trump anuncia que vai aplicar lei de guerra.

Então, reunindo tudo isso, a história, os fatos, informações atualizadas, me parece que corremos um risco muito maior que podemos imaginar. O futuro parece incerto, e digo isso, não só pela pandemia, que se alastra rapidamente, mas pelos milhões de desempregados, idosos, crianças, moradores de rua, empreendedores e, sem dúvida, a nossa saúde mental.

FAÇA A DIFERENÇA!

É momento de colocar em prática nossos valores em relação a família, saúde e todos que nos cercam, que possamos nos unir, concentrar-se em fazer o nosso melhor. Sobretudo, sendo flexível, a inteligência emocional pode nos ajudar a desenvolver determinação, uma vez que possibilita que nos desenredemos de emoções e pensamentos difíceis, lidemos com os reveses de modo a avançar em direção do bem da humanidade.

Que possamos nos ajustar ao que for necessário, desenvolvendo alternativas, abandonando metas irrealistas, nos concentrando no que é importante. A autodisciplina é uma qualidade para se colocar em prática, você precisa dela para organizar seu trabalho, seus estudos, suas finanças, sua vida, para manter seu pensamento voltado para seus sonhos e afastados de dúvidas e medos. Você precisa dela para reagir de maneira positiva e construtiva diante das dificuldades que podem surgir.

Por fim, uma última mensagem, escolha a coragem em detrimento do conforto, envolvendo-se com as novas oportunidades de crescimento e aprendizado, em vez de se resignar passivamente às suas circunstâncias. Reconhecendo que a beleza da vida é inseparável da sua fragilidade. Somos jovens ate que deixamos de ser. Somos saudáveis até que deixamos de ser. Estamos com aqueles que amamos ate que deixamos de estar.

Podemos ajudar a conter a propagação do vírus seguindo estas recomendações:

  1. Faça pesquisa em sites confiáveis
  2. Observe as diretrizes e recomendações das autoridades responsáveis.
  3. Não divulgue informações duvidosas de mídia social.
  4. Pratique uma boa higiene das mãos e cumpra as regras de tossir e espirrar .
  5. Evite apertar as mãos.
  6. Segure o rosto o menos possível, para que nenhum patógeno entre nas mucosas dos olhos, nariz ou boca.
  7. Mantenha-se afastado de pessoas que sofrem visivelmente de doenças respiratórias.
  8. Em geral, fique em casa, se possível, se detectar sintomas do trato respiratório, ou seja, sinais da doença na área do trato respiratório.

 

Referências:

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp2004361

https://www.gatesnotes.com/Health/How-to-respond-to-COVID-19

https://noticias.r7.com/internacional/trump-invoca-medidas-de-guerra-para-combater-coronavirus-nos-eua-18032020

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32176772

https://www.who.int/health-topics/coronavirus

https://www.nature.com/articles/nature06536/